Wolf Road Expedition: o sonho de conhecer e fazer o bem pelo mundo

Com múltiplas metas, expedição planeja ações voluntárias em vários países e localidades 

 

O cerne do Rotary está na conexão e união internacional de associados em prol de servir ao próximo. Este também é o cerne de João Batista Piana, empresário e rotariano de 54 anos que projetou a Wolf Road Expedition, uma jornada que irá unir viagem e serviços voluntários pelo mundo. A expedição elaborada por Piana terá duração estimada de cinco anos e espera cumprir diferentes metas e objetivos, entre eles está o de se tornar o rotariano que mais visitou Rotary Clubs e de ajudar pelo menos uma pessoa por dia. “Quero aproveitar a vida, fazer amizades, ouvir mais e falar menos. E quero ajudar pessoas também, então vou viajar conciliando [essa experiência] e ajudando o próximo”, conta João Piana, associado do Rotary Club de Curitiba III Milênio.

 

Devido à pandemia provocada pela covid-19, o cronograma da Wolf Road Expedition pode sofrer alterações. A primeira fase começa no próximo mês, em que Piana deve viajar para propriedades familiares particulares até que seja possível e seguro retomar os planos originais de conhecer diferentes partes do Brasil antes de seguir para a fase internacional da expedição. 

 

A equipe do Distrito 4730 conversou com o rotariano sobre os planos para a Wolf Road Expedition e a motivação que levou ao surgimento do projeto. Confira a entrevista na íntegra:

 

D4730: Conte-nos um pouco sobre a Wolf Road Expedition. Como você está planejando esta expedição?

João: A viagem deve começar agora no final de março. É uma época de pandemia, não é uma época de viajar, então optei por ir até a fazenda da minha família, no Mato Grosso do Sul. Vou ficar no interior, mais isolado do que neste momento aqui na cidade. A partir do momento em que a pandemia [acalmar] e eu estiver vacinado, quero conhecer todo o Brasil. Quando as fronteiras estiverem abertas, vou descer até o Ushuaia (Argentina, cidade de onde partem barcos para a Antártida) e depois vou viajar subindo até o Alasca, nos Estados Unidos. Todo o projeto da viagem tem previsão para durar cinco anos e está subdividido em vários grupos de ação. 

Por exemplo, no Rotary, tenho a meta de ser o rotariano que mais conhece clubes pelo mundo. Pretendo conhecer as três Américas, além da Europa, África, Ásia, etc. [Nesses lugares,] vou visitar clubes de Rotary, fazendo amizade com esses rotarianos e criando um vínculo mais próximo, para mostrar nossa cultura aqui do Brasil e de Curitiba para eles.  Pelo caminho, vou fazer serviços humanitários e comunitários junto com os companheiros de Rotary. E esses serviços podem ser variados, como chegar a uma escola e levar conhecimento técnico, promover gincanas ou fazer um natal solidário. Onde estiver, quero ajudar de alguma maneira, em nome da minha expedição e em nome do Rotary. 



D4730: Como devem funcionar as viagens?

João: Minha ideia é: eu chego em uma cidade grande e alugo uma kitnet, lá vai ser minha base/ponto de apoio. Montei uma caminhonete bem equipada com tudo que vou precisar para essa viagem — com cama, cozinha, chuveiro, fogão, etc —, só que não vou morar no carro. Vou usar esse apoio móvel e equipado para conhecer os lugares próximos da cidade grande que será minha base. Estou pesquisando dia e horário das reuniões de Rotary Clubs para adicionar no meu roteiro de viagem, para que já consiga me localizar e participar dos eventos assim que chegar à cidade [daqueles clubes] e fazer amizades com os rotarianos. 

Também tenho outros projetos paralelos que quero realizar durante a viagem. Estou estudando medicina natural e crendices populares para escrever um livro sobre os aprendizados que fizer em cada região que conhecer. Outro projeto é um canal no Youtube sobre a minha viagem, onde também quero adicionar vídeos sobre culinária local e comidas típicas, porque viagem, turismo e culinária tem tudo a ver.



D4730: A expedição terá companhia de outros companheiros rotarianos? E parcerias?

João: A viagem por enquanto é solo, vou viajar sozinho. Algumas pessoas comentaram que gostariam de fazer alguns trechos da viagem comigo, por exemplo me acompanhar durante a fase que deve acontecer na Argentina. Também tem algo que me disseram recentemente e que carrego comigo para todo lugar: “Ah, mas você vai viajar sozinho, não é muita solidão?”. Existe a solidão e a solitude. A solidão é quando você está sozinho e sofre por estar sozinho, e a solitude é quando você está sozinho e se sente bem por estar fazendo alguma coisa. E [por outro lado] não vou estar sozinho, tenho certeza que vou fazer vários amigos por cada cidade passar.

Quanto a parcerias, no momento todas são em termos de apoio e não de patrocínio. Tenho parceria com as empresas da minha família: as minhas duas empresas, a fazenda turística e hotel do meu irmão e a empresa do meu filho. Também tenho o apoio do Rotary, que permitiu a divulgação da instituição durante a viagem. Vou levar uma bandeira do Rotary e uma do meu clube durante a jornada, assim vou ter a oportunidade de divulgar o nosso trabalho e explicar o que é o Rotary para as pessoas. Acredito que isso também vai dar uma visibilidade maior para a nossa instituição, precisamos divulgar o Rotary.



D4730: Como a expedição não será patrocinada, qual a estratégia para realizar as viagens e ações voluntárias?

João: Tenho uma bagagem de experiência muito grande na área de empreendedorismo, gestão de empresas, tudo isso. Uma das razões da viagem [acontecer agora] é que dois anos atrás comecei a estudar com foco centralizado no mercado financeiro. Tenho me preparado e me especializado, porque as viagens da expedição serão custeadas pelo que eu conseguir ganhar no mercado financeiro. Isso já está me dando bom resultado, por isso não dependo da minha empresa [para a viagem], nem de empréstimo, patrocínio, etc. E, com um bom computador e uma boa internet, posso acessar o mercado financeiro de onde estiver, consigo trabalhar no mercado financeiro e tirar meu sustento em qualquer parte do mundo.

Para as ações humanitárias e voluntárias, estou criando um site para vender meus produtos personalizados. Todo lucro angariado neste site será destinado para essas ações, sendo que 50% será para a Fundação Rotária e 50% para os projetos humanitários que eu estiver realizando durante a expedição. Não tem fins lucrativos, não sustenta a viagem em si, o dinheiro deste site é exclusivamente para as iniciativas humanitárias.



D4730: De onde surgiu a inspiração para criar a Wolf Road Expedition, unindo viagem e voluntariado?

João: [A Wolf Road Expedition surgiu] da paixão por viajar. Primeiro, sempre gostei de viajar. Quem não gosta de viajar? Segundo, sou um cara novo, vou fazer 55 anos, tenho disposição física de fazer uma viagem, por que não fazer? Terceiro, posso continuar trabalhando na minha empresa e ela adquirir mais sucesso do que ela já tem, mas até quando vou trabalhar? Será que até os 60 ou 65 anos vou ter condições físicas e financeiras de fazer isso, como eu tenho hoje? E eu gosto de conhecer pessoas, lugares e desafios novos. Também sou apaixonado por culinária, gosto muito de cozinhar e um dos projetos é fazer comida em lugares inusitados. 

Então, agora que estou realizado pessoalmente e profissionalmente [decidi começar esse projeto]. Tive um casamento de 29 anos muito bom, tenho dois filhos maravilhosos e as empresas estão indo bem. Minha família pode tocar o negócio e com a tecnologia posso ajudar de onde estiver. E o que está faltando para mim? Quero aproveitar a vida, conhecer pessoas, fazer amizades, ouvir mais e falar menos. 

Quero fazer mais coisas por outras pessoas. Se você puder fazer uma coisinha, por menor que seja, por uma pessoa — e se todo mundo fizer o mesmo — isso muda o mundo. Quando você ajuda alguém, vê que seu problema não é nada comparado ao dessas pessoas. Minha meta é fazer uma boa ação por alguém todos os dias, por 365 dias. Vou viajar conciliando [essa experiência] e ajudando o próximo. 

Também desejo deixar uma marca. Desde jovem, sempre quis escrever alguns livros. Um dia irei morrer e cair no esquecimento, mas se você tiver um livro ou plantar uma árvore, você vai estar vivo de alguma maneira por muito tempo.




Onde acompanhar a Wolf Road Expedition?

Facebook: Wolf Road Expedition

Instagram: @wolfroadexpedition

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