Empoderamento de meninas é impulso para um futuro melhor
Neste ano, valorização da participação e empoderamento feminino são compromissos rotários
Empoderamento significa tornar algo poderoso, permitir que possa ter domínio sobre a própria vida e capacidade de tomar decisões sobre o que lhe diz respeito. Para meninas e mulheres, essa ação é importante para enfrentar as desigualdades. Desde 2019, promover a participação feminina é um compromisso rotário e, em 2021, a instituição irá centrar esforços em projetos que incentivam o empoderamento de meninas nas comunidades em que os Rotary Clubs atuam.
Vulnerabilidade e desigualdades
No Brasil, mulheres ganham 77% do salário dos homens, são responsáveis pela maior parte dos afazeres domésticos e 1 em cada 4 brasileiras já sofreu violência doméstica, apesar de representarem mais da metade da população (51%) e ter mais formação educacional que os homens. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Anual (Pnad Contínua) do IBGE, realizada em 2019. O quadro é ainda pior sobre as meninas: elas são quase o dobro dos meninos fora da escola e sem atividade remunerada, são registrados 6 abortos por dia em meninas de 10 a 14 anos estupradas e ter filhos é um fator decisivo para a evasão escolar. Meninas em situação de vulnerabilidade correm mais riscos de terminar em relacionamentos abusivos, levando a gravidez precoce e ao abandono escolar.
Para mudar esse cenário, o empoderamento feminino é uma das iniciativas propostas pelo presidente Shekhar Mehta para este ano rotário. O objetivo é que os clubes criem projetos capazes de transformar positivamente a vida de meninas em suas comunidades locais. “Temos o poder de liderar mudanças pela igualdade de gênero, e cabe a nós fazer mais projetos que promovam maior acesso à educação, melhores cuidados de saúde, mais emprego e igualdade a meninas e mulheres em todas as esferas da vida. As meninas são as líderes do amanhã, e é nosso dever ajudá-las a moldar o seu futuro”, afirma o presidente de Rotary International, Shekhar Mehta.
O Distrito 4730* aceitou esse desafio e está desenvolvendo ações para promover o empoderamento em comunidades paranaenses. O foco será na educação e capacitação de mulheres para o mercado de trabalho, além de palestras de conscientização e combate à violência contra a mulher. Em Curitiba, um projeto para capacitação de mulheres desempregadas e em situação de vulnerabilidade está sendo elaborado. A iniciativa distrital irá oferecer um curso de costura para mulheres jovens e adultas. Com previsão de início em setembro, o treinamento deve durar dois meses e já possui uma turma com 20 alunas. Segundo Mariane Ferreira, Governadora 2021-22, o curso conta com a parceria de empresas de confecção que doaram máquinas de costura e tecidos de fábrica para produção de itens de cama, mesa e banho. “Hoje, nós somos uma instituição de credibilidade planetária, com presença no mundo inteiro, e acredito que o Rotary serve de exemplo para outras instituições. A importância de nos dedicarmos ao empoderamento das meninas é que vamos incentivar essas instituições a unir forças nesta luta e integrar nossos projetos como parceiros”, reflete a governadora.
Mariane define que “o céu é o limite”. Cada Rotary Club do distrito irá idealizar seus projetos com base no perfil da sua cidade ou comunidade. “A ideia é se inspirar nas necessidades, culturas e costumes locais. Os clubes podem promover cursos de informática, idiomas, entre outros. Espero que ao final do primeiro curso os clubes tenham orgulho do projeto que implantaram”, descreve Mariane.
Empoderamento no Paraná
Seguindo as orientações do Rotary International, as zonas e distritos rotários elegeram embaixadoras e coordenadoras para as iniciativas de empoderamento feminino. Embaixadora da zona 23-A** e Governadora Distrital 2020-21, Anaides Orth explica que as ações são resultado do trabalho conjunto e troca de ideias entre as coordenações regionais e governadorias dos distritos.
Entre os diversos desafios enfrentados por meninas e mulheres, foram elencados para atuação do Rotary: a falta de acesso à educação, casamento infantil, abuso e exploração sexual e a falta de informações sobre saúde básica. “Estamos orientando os clubes a promover iniciativas que mostrem como a educação sempre foi e continua a ser o caminho. Podem ser projetos ou fóruns de informação apresentando formas de garantir a presença das meninas nas escolas, acesso à informação e perspectivas de futuro”, explica Anaides. De acordo com a embaixadora, está sendo preparada uma palestra para orientação da equipe do Distrito 4730 e todos os rotarianos interessados em conhecer sobre o empoderamento feminino.
Coordenadora da Comissão Distrital de Empoderamento e Governadora Distrital 1999-2000, Silvia Campos destaca como a falta de educação deve ser o ponto central das ações, levando em conta também os desejos e necessidades das meninas. “Todos os problemas que causam a vulnerabilidade feminina, passam pelo acesso à educação. Algumas ações que podem ser promovidas no Distrito 4730 são a distribuição de bolsas de estudo, treinamentos de defesa pessoal, terapia para meninas que já sofreram algum tipo de violência e capacitação para meninas em situação de vulnerabilidade. Uma frase que resume todo nosso trabalho é o conceito de que as meninas podem ser o que elas quiserem ser”, afirma.
Nesse sentido, o distrito busca envolver também a comunidade. São várias propostas para treinamentos, capacitações e movimentos de conscientização sobre o empoderamento feminino, incluindo também o trabalho com meninos e homens. Silvia e Mariane acreditam que é preciso conscientizar os meninos sobre como respeitar as mulheres e evitar comportamentos abusivos, para quebrar o ciclo de violência doméstica. “Muitas vezes, esses meninos cresceram vendo mães e avós sofrendo agressões e tomam estes comportamentos como normais. Precisamos quebrar este ciclo, mostrar que é errado e também uma transgressão legal, falando sobre a Lei Maria da Penha”, ressalta a Governadora Mariane Ferreira.
Primeira governadora mulher na história do Distrito 4730, Silvia Campos acrescenta que é o sonho de toda menina e mulher ser respeitada e ter espaço na sociedade. “Estou encantada com esse projeto, para mim é o maior desde o combate à pólio. É a iniciativa mais abrangente que vi nos meus 32 anos de Rotary e tem potencial para ser a maior da instituição. Ao empoderar as meninas e mulheres, estamos empoderando também as famílias. É o início de uma grande luta e temos que começar pelas meninas”, relata.
Como promover o empoderamento feminino?
Todos podem participar no empoderamento de meninas e mulheres. Preparamos uma cartilha com as principais informações sobre o assunto, acesse em: bit.ly/3yXuAQf.
Você também pode fazer parte dessa transformação junto com o Distrito 4730! Para saber como, entre em contato pelos números:
- Anaides Pimentel da Silva Orth | Embaixadora de empoderamento na Zona 23-A - Telefone: - (41) 9 9976-9856
- Maria de Lourdes Caramori Caldas | Embaixadora de empoderamento assistente na Zona 23-A - Telefone: (41) 9 9225-3083
- Silvia Maria Campos | Coordenadora de empoderamento no Distrito 4730 - Telefone: (41) 9 9983-2332
- Mariane Nascimento Ferreira | Governadora do Distrito 4730 - Telefone: (41) 9 9977-1819
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* O Distrito 4730 é composto pela região de Curitiba e Região Metropolitana, Litoral e Campos Gerais do Estado do Paraná.
** A Zona 23-A é composta pelos estados brasileiros do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.






