Quase três mil bebês foram internados com sintomas de desnutrição em 2022

Quase três mil bebês foram internados com sintomas de desnutrição em 2022
Quase três mil bebês foram internados com sintomas de desnutrição em 2022

Dados mostram a urgência de investir em iniciativas voltadas à saúde materno-infantil, uma das áreas de enfoque do Rotary

 

Ter acesso à alimentação adequada é um direito previsto no artigo 25 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Apesar disso, a insegurança alimentar no Brasil reflete também nas mães e crianças: 14,2% das gestantes apresentaram baixo peso para a idade gestacional, 6,1% das crianças menores de cinco anos estavam com magreza acentuada ou magreza e 13,0% delas com baixa estatura para a idade. Os dados são do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN).

 

Em 2022, de acordo com um levantamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), 2.754 bebês com menos de um ano de idade foram internados por desnutrição no Sistema Único de Saúde (SUS), deste total, 114 internações foram registradas no Paraná. Os números são não piores do que 2021 quando foram registradas 2.979 hospitalizações.

 

“Pelo menos 60 milhões de crianças menores de cinco anos podem morrer devido a causas evitáveis até 2030.”

80ª Sessão do Comitê dos Direitos da Criança da ONU

 

 

Além da mortalidade infantil, outro dado preocupante no país é a mortalidade materna. Em 2021, de acordo com o Observatório Obstétrico Brasileiro (OOBr), a  mortalidade materna no Brasil voltou aos níveis inaceitáveis de 25 anos atrás: foram 113 mortes de mulheres a cada 100 mil nascidos vivos. O Observatório destaca que gestantes e puérperas continuam morrendo por causas evitáveis como hipertensão, hemorragias e infecções.

 

Gestantes que apresentam baixo peso para a idade gestacional podem ter o seu crescimento intrauterino prejudicado,  isso faz com que o feto não alcance o seu potencial biológico de crescimento. Além disso, a deficiência nutricional da mãe pode acarretar  insuficiência placentária,  significa que aquela placenta, progressivamente, reduz o aporte de oxigênio e nutrição para o feto, resultando no nascimento de um bebê com peso inferior a 90% dos outros bebês na mesma idade gestacional, ou até mesmo em óbito.

 

“Aumento da escolaridade feminina reduz a mortalidade infantil.”

IBGE

 

 

Outro ponto de atenção nesse tema é o aleitamento materno que  reduz em 13% a mortalidade em crianças até os cinco anos de idade porque evita a diarréia, as infecções respiratórias e diminui o risco de alergias. Além disso, reduz as possibilidades de diabetes, colesterol alto, hipertensão e reduz a chance de obesidade. Além disso, o ato contribui para o desenvolvimento da cavidade bucal do pequeno e promove o vínculo afetivo entre a mãe e o bebê.

 

A Organização Mundial da Saúde recomenda que as crianças se alimentem exclusivamente de leite materno até os seis meses de vida e continuem sendo amamentadas até os dois anos ou mais, caso seja possível. As experiências de vários países têm demonstrado que há diferenças entre a mortalidade relacionada às condições socioeconômicas e variáveis sociais como: escolaridade da mãe, etnia e acesso aos serviços de saúde em tempo oportuno. Por isso, a identificação dos fatores de risco para a mortalidade materna e infantil é fundamental.

 

Saúde materno-infantil é uma das sete áreas de enfoque do Rotary

Em 2021, a Fundação Rotária* liberou um subsídio de 40 mil dólares para o projeto do Banco de Leite do Hospital Trabalhador. A meta é suprir a demanda da maternidade e em especial da UTI Neonatal, que atende pacientes de Curitiba e Região Metropolitana exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Liderado pelo Rotary Club de Curitiba, o projeto conta com o apoio do Rotary Club Curitiba Rebouças e parceria internacional do Rotary Club de Paradise, dos Estados Unidos. Cerca de 250 a 300 bebês internados na UTI neonatal devem ser atendidos por ano com o banco de leite, além do potencial de estender o projeto para atender também a comunidade externa.

 

O Rotary Club de Curitiba Santa Felicidade também tem iniciativas de apoio ao aleitamento. A rotariana Karina Cantarelli conta que, desde 2010, o clube é parceiro do Banco de Leite Humano do Hospital Evangélico. Por meio de um subsídio da Fundação Rotária, em parceria com um Rotary Club dos Estados Unidos da América, os rotarianos conseguiram adquirir um veículo refrigerado. Até então, as coletas de leite eram feitas de moto, o que gerava perdas de até 80% das doações devido às condições de armazenamento para o transporte. “Também faltavam equipamentos para processamento e pasteurização do leite que foram adquiridos pelo Rotary”, acrescentou.

 

Iniciativas como Bancos de Leite Humano (BLH) atuam na conscientização e promoção da importância do leite materno, coleta de doações e distribuição de leite humano seguindo padrões estritos de qualidade.  O objetivo é contribuir com a diminuição da mortalidade infantil e garantir a saúde de bebês recém-nascidos e prematuros. 

 

Em Ponta Grossa, a parceria entre Prefeitura e Rotary Club de Ponta Grossa Jardim América também melhorou a estrutura do Banco de Leite Humano. Além do auxílio na estrutura, dos equipamentos e na manutenção, o Rotary disponibilizou um carro para fazer a coleta no domicílio das mães doadoras. 

 

No Vale do Ribeira, em São Paulo, o Rotary também atua para reduzir a mortalidade infantil. Por meio de uma parceria da Fundação Rotária com dois Rotary Clubs de Nakatsugawa, no Japão, os rotarianos brasileiros levantaram 172.500 dólares para comprar cinco incubadoras para a UTI pediátrica, fazendo com que o hospital dobrasse sua capacidade de atendimento infantil. Em 2013, 129 bebês deram entrada na UTI. Desde a conclusão do projeto, o estabelecimento passou a cuidar de cerca de 220 bebês por ano. 

 

Outros recursos adquiridos com os fundos do subsídio foram cinco respiradores mecânicos, um medidor de bilirrubina, três berços com aquecimento, cinco monitores de sinais vitais e uma unidade de fototerapia microprocessada com super LED para tratar bebês com icterícia. O subsídio também pagou pela realização de workshops para informar aos moradores, principalmente mulheres e gestantes, sobre cuidados pré-natais e importância da amamentação. 

 

Conheça outras iniciativas do Rotary pelo mundo no impacto na vida de mães e filhos!

 

Clínicas móveis de pré-natal

Como o Haiti tem o maior índice de mortalidade materno-infantil de todo o Hemisfério Ocidental, o Rotary forneceu um jipe completamente equipado para voluntários e parteiras atenderem mães e crianças de áreas distantes.

 

Automóvel para detecção de câncer

Rotarianos forneceram uma unidade móvel para diagnóstico de câncer e deram treinamento sobre o assunto na área de Chennai, na Índia, que por falta do diagnóstico nos estágios iniciais da doença tem registrado um alto índice de mortalidade de mulheres por câncer da mama e cervical. 

 

Prevenção de lesões e mortes

Rotarianos e rotarianas lançaram um programa piloto de cinco anos, no valor de US$3 bilhões, para proteger mães e filhos durante partos domiciliares. Desde 2005, foram realizadas 1.500 cirurgias de fístula obstétrica – 500 a mais do que a meta inicial – restaurando a dignidade e esperança de diversas mães.

 

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* A Fundação Rotária (FR) é o  braço filantrópico do Rotary que lidera os esforços para erradicar a paralisia infantil do mundo e foi criada para financiar projetos humanitários e educacionais dos Rotary Clubs. Com a mais alta classificação da Charity Navigator pelo 14º ano consecutivo, a Fundação Rotária é mantida com as contribuições dos rotarianos e amigos do Rotary.

 

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