Quanto custa ser Governador do Rotary?
Normalmente quando alguém faz essa pergunta deseja saber sob o aspecto financeiro.
Falarei sobre isso adiante, mas primeiro quero começar com outros custos.
Há um custo pessoal, um custo familiar, um custo emocional e um custo profissional.
O custo pessoal é grande, pois você como Governador será uma pessoa pública, com os ônus e bônus dessa situação.
Você terá compromissos rotários praticamente todos os dias e noites, porque terá de administrar o distrito, que é uma empresa com receitas e despesas; gastos com empregado, contador, aluguel, luz, telefone, infraestrutura, entre outras situações objetivas.
E deverá administrar e motivar pessoas, decidir situações, dirimir conflitos, agradar a alguns e desagradar a muitos.
Deverá estar preparado para descobrir que pessoas com as quais você não tem sequer relação tendem a dizer-se seus próximos, e afirmar que sabem sobre algumas coisas e razões sobre as quais não têm conhecimento algum. E continuam, sem base, a afirmar que ‘o Governador’ quer assim ou de outra maneira. Ou seja, um uso indevido da imagem e da voz do Governador.
Você deixará de ter seus finais de semana livres, pois os clubes se reúnem majoritariamente à noite, e nossos eventos, reuniões e treinamentos ocorrem nos finais de semana.
Esta última parte se liga com o custo familiar, pois você deixará de acompanhar algumas reuniões familiares, aniversários, comemorações e outras festas ou eventos. Seu cônjuge¸ filhos e pessoas próximas deverão estar preparados para essa 'ausência presente '.
Você está às vezes fisicamente presente, mas não pra eles, como costumava estar. Haverá um déficit. Claro que sua decisão foi deliberada e decidida antes da sua governadoria, e eles sabem e concordaram, mas talvez não possuam a completa ideia do quanto é intenso o ano e absorvente a função. Aliás, talvez nem o próprio Governador tenha a exata noção de quanto a função consumirá seu tempo e sua vida.
O custo emocional é devido à sua 'ilusão' de que, sendo rotarianas e voluntárias, as pessoas se dedicarão ao Rotary como você o faz. Não acontecerá em muitos casos e as explicações (justificativas) são variadas: a pessoa sentiu-se prestigiada e reconhecida pelo convite e não quis recusar; decidiu candidatar-se ao cargo/encargo sem a exata noção do que isso lhe exigiria em estudo e dedicação; surgiram novas circunstâncias pessoais ou profissionais e ela acredita que dará conta mesmo assim; ela só aceitou ou candidatou-se para ter uma posição de relevância no distrito.
Enfim, o seu custo será o desencanto e a decepção com algumas pessoas, mas você as conhecerá melhor, aprendizado que servirá para sua vida.
Além disso, tenha certeza que seu planejamento não será integralmente executado, pois as situações e circunstâncias mudam, e seus planos também devem mudar (capacidade de adaptação). E nem todos os companheiros vão lhe acompanhar, em velocidade ou intensidade.
O custo profissional é derivado do fato de ser a posição de Governador muito relevante, exigente, absorvente, fazendo com que você tenha de se preparar para exercer sua profissão em menor intensidade, em menor tempo; sua empresa deve estar preparada para não depender de sua pessoa, mas das estruturas criadas para que ela funcione sem sua atenção diária. Haverá, claro, tempo para o trabalho. Não o mesmo tempo de antes, mas o suficiente para, desde que você seja organizado, manter a máquina em movimento. E será bem difícil expandir sua empresa durante a governadoria, ou o profissional liberal ou microempreendedor individual manter o mesmo engajamento e dedicação a ambas as atividades.
Quanto ao custo financeiro de ser Governador embora não haja remuneração pela função, há um valor denominado verba de alocação, que o Rotary International disponibiliza para os gastos de deslocamento e com hotel. Existem gastos com treinamento e deslocamento enquanto Governador Indicado e Eleito que o companheiro enfrenta, mas que são devolvidos quando assume a governadoria. E a pessoa jurídica Distrito 4730 de Rotary International, nossa associação de clubes, custeia alimentação fora da sede e em trabalho de representação.
Obviamente há gastos pessoais que não são passíveis de ressarcimento, mas normalmente são gastos menores, dentro das possibilidades dos companheiros. O que não se pode, é, entendo, ficar empolgado e gastar acima do que os próprios orçamentos (de alocação e do distrito) reservam para a atividade da governadoria.
O pretendente ao cargo deve analisar detidamente suas condições pessoais, profissionais, familiares e financeiras antes de apresentar sua candidatura.
Mas lhes asseguro que os ganhos pessoais, de aprendizado, conhecimento, companheirismo, são muito grandes.
Pense nisso, avalie suas condições e sendo o momento, candidate-se.
Seus ganhos superarão largamente seus custos, sempre sob o ponto de vista não financeiro, pois a função é voluntária.
E respondendo a pergunta quanto custa ser Governador? Custa muito, mas não em termos financeiros. Você ganha muito mais, em carinho dos companheiros, em conhecimentos, em alegria e em realização pessoal.
Vale muito a pena: o saldo é altamente positivo.
- Governador 2023-24 Laerzio Chiesorin Junior, associado ao Rotary Club de Curitiba Guabirotuba






