25 anos após a erradicação da pólio, Rotary e Ministério da Saúde reúnem esforços para impedir a volta da doença

Erradicada em 1994, a doença que pode levar a paralisia infantil ameaça retornar devido às taxas de vacinação abaixo da meta. Para combater o possível retorno da poliomielite no Brasil, o Rotary e o Ministério da Saúde irão voltar seus esforços para o aumento da conscientização e da vacinação preventiva. No Distrito 4730, a corrida "End Polio Run" foi uma das ações elaboradas objetivando chamar atenção para a campanha de vacinação 2019/20. Não existe cura para a pólio, apenas tratamento e a prevenção através da vacinação.

 

Momento crítico

O Brasil passa por um momento crítico em relação às estatísticas de vacinação. Além da ameaça da poliomielite, o sarampo — outra doença que havia sido erradicada pelo país — retornou devido aos baixos números. Em entrevista a revista Rotary Brasil, Luiz Henrique Mandetta, Ministro da Saúde, afirmou que a queda nos percentuais de imunização tem sido observada desde 2011, principalmente a partir de 2016, apesar das vacinas estarem disponíveis durante o ano no Sistema Único de Saúde (SUS). 

Segundo Mandetta, uma das causas para essa redução é o próprio sucesso do programa de vacinação em anos anteriores. “Como não há mais circulação de algumas doenças no país, as pessoas acabam esquecendo da gravidade e dos riscos apresentados por elas. Outra causa é a difusão de informações equivocadas e sem embasamento científico, as fake news”, explica.

No caso do sarampo, dados recentes divulgados em setembro pelo Ministério da Saúde somam 3.339 casos confirmados em 16 estados. São Paulo é o estado mais afetado pela epidemia, onde foram registrados 97,5% dos casos e três mortes em decorrência da doença: um homem de 42 anos e dois bebês. Segundo o Ministério, a imunização contra a doença não foi comprovada em nenhum dos casos.

 

"Vírus importado"

Vírus trazidos por fluxos migratórios de uma população que não o erradicou para um local que o havia erradicado são chamados de "vírus importados".  É o caso tanto do sarampo como da poliomielite. Para o Ministro da Saúde, a ampliação da cobertura vacinal deve ser prioridade para o mundo, de modo a não permitir que esses vírus se espalhem. “Com o atual cenário de intenso fluxo de pessoas, é necessária a promoção de ações de integração entre vigilância e atenção em saúde”, afirma.

De acordo com especialistas em imunização, o "vírus importado" só tem efeito quando encontra um indivíduo não imunizado. "Todas as doenças consideradas erradicadas no Brasil, mas que não estejam erradicadas no mundo podem voltar se a população não continuar vacinada", afirmou à BBC Paulo Lee Ho, pesquisador do Serviço de Bacteriologia do Instituto Butantan.

 

“Efeito rebanho”

Outro fator que ajuda explicar a volta de doenças que o Brasil já havia conseguido erradicar é o "efeito rebanho", outra forma de imunização além da vacinação individual. O "efeito rebanho" acontece quando a taxa de imunização de uma população é tão alta que, mesmo que um indivíduo não se vacine, ele estará protegido vivendo naquele meio em que a maioria é vacinada. 

É o efeito rebanho que prevenirá a ocorrência de surtos, epidemias e pandemias, pois é a maioria de uma população vacinada que impedirá a circulação dos agentes infecciosos naquele local, e não a vacina isolada em si. Quanto mais pessoas deixarem de se imunizar em uma mesma região, menos força terá o efeito rebanho - e doenças antes já controladas ali poderão voltar a ocorrer.

O principal risco de uma falha nesse efeito rebanho é o contágio de pessoas que não puderam tomar a vacina por contraindicação — como grávidas, bebês, em tratamento contra o câncer, alergia a algum componente, etc. “Vacinar é também um pacto social”, afirmou a médica pediatra Caroline Barbieri em entrevista à revista Época.

 

Novos esforços

Para aumentar a conscientização sobre a vacinação, o Governo Federal estabeleceu a cobertura vacinal como meta prioritária para a gestão de saúde no país. O Ministério da Saúde irá implantar o “Movimento Vacina Brasil”, com o objetivo de reverter o quadro atual das imunizações no país. Entre as medidas a serem aplicadas está inclusive a criação de horários alternativos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) para vacinação.

O Rotary Brasil decidiu se unir aos esforços do Ministério para aumentar as taxas de imunização e conscientizar a população, especialmente sobre a poliomielite. Clubes de todos os Distritos do Brasil foram convidados a desenvolver ações informando a população de sua região sobre a campanha de vacinação estabelecida entre os dias 07 e 25 de novembro. No Distrito 4730, a corrida “End Polio Run” foi a principal ação distrital desenvolvida, com o objetivo de simultaneamente conscientizar a população e arrecadar fundos para outras iniciativas de combate à poliomielite.

 

Leia também: Corrida “End Polio Run” arrecada fundos para combate a poliomielite

 

Poliomielite

A poliomielite ou “paralisia infantil” é uma doença infecto-contagiosa viral aguda, caracterizada por um quadro de paralisia flácida, de início súbito. O déficit motor instala-se subitamente e sua evolução não costuma ultrapassar três dias. Atinge em geral os membros inferiores, de forma assimétrica, tendo como principal característica a flacidez muscular.

O vírus é transmitido pelo: contato direto pessoa a pessoa; pela via fecal-oral; por objetos, alimentos e água contaminados com fezes de doentes ou portadores; ou pela via oral-oral - falar, tossir ou espirrar. A falta de saneamento, as más condições habitacionais e a higiene pessoal precária são fatores que favorecem a transmissão do poliovírus.

 

Prevenção

São duas as vacinas que previnem a poliomielite: a VOP, Vacina Oral Poliomielite, aplicada via oral aos 2, 4 e 6 meses de vida, com reforços entre 15 e 18 meses e entre 4 e 5 anos de idade; e a VIP, Vacina Inativada Poliomielite, que tem injetada uma dose aos 15 meses e outra aos 4 anos de idade. Ambas as vacinas são oferecidas nas UBS e tem qualidade e segurança garantidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

O médico Júlio Croda, diretor do Departamento de Imunizações e Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, afirmou em entrevista à revista Época que todas as vacinas distribuídas nas unidades de saúde passam por um monitoramento rígido de qualidade, potência e efeitos adversos. “Cada país tem seu sistema de farmacovigilância. Em nosso caso, é a Anvisa. Se há qualquer problema, o produto é interrompido”, explicou.

 

País livre da pólio

O Brasil está livre da poliomielite desde 1990. Em 1994, o país recebeu, da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a Certificação de Área Livre de Circulação do Poliovírus Selvagem. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), apenas três países ainda são considerados endêmicos (Paquistão, Nigéria e Afeganistão).

No início do século XX, as doenças imunopreveníveis como poliomielite e varíola eram endêmicas no Brasil, causando elevado número de casos e mortes em todo o país. As ações de imunização foram responsáveis por mudar o perfil epidemiológico destas doenças no Brasil. Além disso, reduziu a circulação de agentes patógenos, causadores de doenças como a difteria, o tétano e a coqueluche.

 

Rotary na luta contra a pólio

Em setembro de 1979, rotarianos e representantes do Ministério da Saúde das Filipinas acompanharam voluntários durante a vacinação de crianças contra a paralisia infantil, em Manila. James Bomar Jr., então presidente do Rotary, lançou oficialmente um projeto para imunizar as crianças das Filipinas contra a poliomielite. Ele e o ministro da saúde, Enrique Garci, assinaram um acordo no qual o Rotary International e o governo filipino se comprometiam a imunizar cerca de seis milhões de crianças contra a pólio durante vários anos, a um custo de US$760.000.

 

Leia também: A origem da nossa luta contra a pólio - Rotary


A partir desse projeto, o Rotary International passou a se dedicar a erradicação global da pólio. Como resultado do empenho e dedicação ao longo dos anos, mais de 2,5 bilhões de crianças foram vacinadas. Desde o lançamento da campanha Pólio Plus, em 1985, houve uma queda de 99% no número de casos da doença em todo o mundo e foram destinados mais de US$1,7 bilhão à erradicação da doença. sendo que o vírus só continua endêmico em três países: Afeganistão, Nigéria e Paquistão. Atualmente, todas as ações contra a poliomielite desenvolvidas pelo Rotary no mundo são contabilizadas no site endpolio.org.


Veja o vídeo “Por que importa zerar”: https://youtu.be/xheITaL96B8

 

Campanha Nacional de Multivacinação | Ministério da Saúde

Data: de 07 a 25 de outubro, com Dia D no sábado, 19 de outubro


Saiba quais Unidades Básicas de Saúde (UBS) estão disponíveis em sua cidade em: UBS - UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE | Ministério do Planejamento

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