O Rotary chora ou vende lenço?
Mensagem para o mês de agosto do do Diretor de Rotary International 2019-21, Mário César Camargo
Completo hoje 220 reuniões nas telas do computador, retângulos substituindo contato físico, apresentações interrompidas por choro de bebê, ou alguém ralhando da cozinha. Mas tampouco conseguiria participar do PETS das Bahamas, da fundação de clubes, viagens ao distrito de Mendoza, Pernambuco e São Paulo na mesma noite. Paulatinamente aprendemos o uso da ferramenta digital, suas vantagens e desvantagens. Mas certamente estamos inovando e nos flexibilizando, mais por pressão externa do que compasso interno, mas avançamos. O Rotary continua funcionando.
Como prova, recentes decisões do Conselho Diretor em junho e julho de 2020.
O endosso à decisão dos curadores de constituir o meio ambiente como área de foco da Fundação. Para os sul-americanos, com 30 anos de atraso, um resgate do programa “Preserve o Planeta Terra”, do presidente Paulo Viriato. Pesou na decisão a pesquisa efetuada entre quatro públicos alvos, rotarianos, rotaractianos, alumni, e profissionais fora do Rotary: à exceção dos rotarianos, o meio ambiente foi a causa motivadora número 1 das outras audiências. Ao modernizar a agenda da Fundação, o Rotary se renova e se aproxima dos jovens e seus temas.
A concessão, também reforçando a decisão dos curadores, de recursos dos projetos de subsídios globais aos Rotaracts, uma sugestão do meu tempo de curador de ligação com esse comitê em Evanston. O Rotary começa a agir concretamente no empoderamento do Rotaract, seguindo a determinação aprovada no Conselho de Legislação de 2019. Não há forma mais sólida de mostrar confiança do que outorgar recursos; caberá aos rotaractianos responder à altura do desafio, com robustez jurídica, responsabilidade financeira e capacidade de planejamento e execução;
Como é (ou deveria ser) do conhecimento dos rotarianos, o foco é no enfrentamento à Covid-19, cujo combate já drenou 22 milhões de dólares dos fundos da Fundação. Dos 310 distritos que submeteram o formulário para o recebimento dos 25 mil dólares, sem contrapartida, 110 ficaram sem receber num primeiro momento, pelo esgotamento dos recursos de auxílio à catástrofe. Pois o Conselho Diretor direcionou 2,75 milhões de dólares do orçamento do Rotary, fruto das economias advindas da impossibilidade de viagens, hotéis, consultorias e refeições, aos cofres da Fundação. Com essa medida, todos os distritos que protocolaram a solicitação receberão as verbas.
Além dessas boas notícias no plano global, também ocorreram novidades alvissareiras na zona sul-americana. Para se contrapor ao vendaval de más notícias, mais de 74 mil mortes provocadas pelo coronavírus, o Rotary insiste na sua agenda positiva. Para citar algumas:
A parceria entre o Rotary no Brasil e o Todos pela Saúde, com a doação de 4,5 milhões de reais empregados na testagem, treinamento e encaminhamento de infectados nos asilos levantados pelos 31 distritos brasileiros. Somados aos 3,2 milhões de reais doados pela Fundação Rotária, e projetos emparceirados de subsídios globais, o investimento do Rotary supera 8,5 milhões de reais até 15 de julho;
Como consequência, houve uma projeção de Imagem Pública sem precedentes para o Rotary: reportagem com o rotariano Humberto Silva, gestor do projeto Corona Zero, no Fantástico, e entrevista comigo no bloco “Solidariedade” do Jornal Nacional, com 55 milhões de espectadores. Além de inúmeras reportagens positivas de atuação local e regional dos clubes, que são as verdadeiras engrenagens do Rotary.
Gosto de citar filósofos e pensadores. Mas agora vou recorrer a um adágio popular, típico dos para-choques de caminhões Irmãos da Estrada (denúncia evidente da idade), e que meus governadores 19-20 e 20-21 escutaram, além do suportável: “Enquanto alguns choram, outros vendem lenços”. Nós rotarianos vendemos lenços.






