Pela primeira vez na história, Rotary International seleciona uma mulher para presidir a instituição

Indicação será oficializada em outubro se não houver candidato opositor

 

Em 2020, o Rotary tem inovado e realizado marcos históricos ao redor do mundo, migrando reuniões e eventos para o ambiente virtual e colocando em prática projetos de grande impacto nas comunidades locais. Agora, a instituição faz história mais uma vez ao selecionar a rotariana Jennifer Jones para o cargo de Presidente do Rotary International em 2022-23. 

 

Desde sua fundação em 1905, todos os candidatos indicados e eleitos para presidir o Rotary foram homens. A história das mulheres na instituição é muito recente, a primeira admissão de uma rotariana datando de aproximadamente 30 anos atrás. Com a seleção de Jennifer Jones, o Rotary dá mais um passo na inclusão e diversificação de oportunidades para formação de líderes rotarianas.

 

Jones é associada do Rotary Club de Windsor-Roseland, no Canadá. Não havendo candidato opositor, Jennifer será oficialmente declarada presidente indicada em 1º de outubro deste ano. Candidata para presidir internacionalmente a gestão 2022-23, Jennifer Jones acredita que o Plano de Ação do Rotary serve de catalisador para aumentar o impacto causado pela instituição. “Ao refletirmos sobre as novas prioridades estratégicas, nunca poderíamos imaginar que nossa capacidade de adaptação seria nossa estrela guia durante um tempo que, indiscutivelmente, é o mais grave da história recente”, declarou sobre sua visão para o Rotary. “Há um lado positivo em quase todas as circunstâncias desafiadoras. Usando metas baseadas em métricas, vou aproveitar este cenário histórico para inovar, instruir e comunicar oportunidades que reflitam a realidade atual.”

 

Jennifer entende muito bem a importância de expressar diversidade, equidade e inclusão no Rotary. “Nossa Declaração de Diversidade, Equidade e Inclusão começa no topo e, para vermos um aumento no número de mulheres e associados com menos de quarenta anos, estes grupos demográficos devem ser refletidos na nossa liderança. Defenderei um crescimento de dois dígitos nas duas categorias, sem nunca perder de vista todos os membros da família rotária.”

 

Rotarianas no Distrito 4730

As rotarianas têm uma trajetória de liderança forte e histórica no Distrito 4730. Desde que mulheres passaram a ser admitidas na instituição, o distrito já indicou e elegeu sete Governadoras Distritais. Segundo Silvia Maria de Campos, primeira governadora eleita pelo Distrito 4730 e segunda no Brasil, a liderança das rotarianas era vista como uma grande novidade na época. “Foi um período de muito incentivo a inclusão de mulheres nos quadros associativos. Alguns clubes ainda tinham receio sobre as mudanças. E, para minha surpresa, depois de seis meses do início da minha gestão vários clubes já haviam admitido mulheres por iniciativa própria. [Sinto que] houve um avanço no ingresso da mulher em Rotary a partir do momento em que fui governadora e que continua nos dias atuais”, relata Campos.

 

Governadora no ano rotário de 1999-00, Silvia também revela que foi um desafio e uma responsabilidade grande liderar o Distrito 4730. “Eu era a única governadora no Brasil neste ano. Foi uma responsabilidade enorme, mas consegui fazer um trabalho que me gratificou muito e mostrar que não tem diferença nenhuma entre ser um governador homem e uma governadora mulher. Até hoje, tenho lembranças boas e vejo os resultados deste trabalho”, comenta.

 

Atualmente, as rotarianas representam 34% do quadro associativo distrital, superando as médias nacional e mundial do Rotary. Em 2020-21, as associadas também conquistaram diversas posições de liderança no Distrito 4730. Liderada por Anaídes Pimentel da Silva Orth, a equipe distrital conta oito Governadoras Assistentes, majoritariamente rotarianas coordenando comissões distritais e, de 80 Rotary Clubs, 26 elegeram presidentes mulheres. “O Distrito acolhe muito bem a figura feminina e especialmente nos últimos anos [percebemos] essa aceitação. Acredito que em Rotary, a mulher tem desenvolvido um papel de liderança muito grande”, afirma Anaídes.

 

Para a governadora, os trabalhos de homens e mulheres na liderança rotária se complementam, promovendo o progresso do Rotary. “Quando ambas as lideranças estão integradas, o resultado é grande. As mulheres tem um método mais ativo, flexível e com muito acolhimento. Dessa forma, somos capazes de experimentar com responsabilidade, o que desenvolve muito o Rotary”, descreve Anaídes Orth. “A liderança da mulher é destacada pela disponibilidade que ela tem no aprender constante. E é uma conquista termos pela primeira vez na história de Rotary a indicação de uma mulher para a presidência. Esta era será marcada pelo método aprender a aprender, a flexibilidade sendo o tom da liderança da mulher!”

 

Mariane Ferreira, Governadora Eleita para a gestão 2020-21, também vê o aumento da participação da mulher em Rotary e da integração entre ambas as lideranças como uma nova marca, um novo processo para instituição que abre muitas possibilidades. “Gosto de pensar que as rotarianas estão crescendo e conquistando mais espaço no Rotary, mas que independentemente, os trabalhos que realizamos juntos e nossa dedicação a instituição são a parte essencial”, relata.

 

Silvia Campos acredita que, nos últimos 20 anos, houve uma grande evolução no Rotary e a indicação de uma mulher para a presidência do Rotary International é uma amostra de que a inclusão de rotarianas deu certo. “Continuamos nos esforçando para que mais profissionais femininas se juntem ao Rotary. A presença da mulher trouxe uma sensibilidade que antes não existia e que fez muita diferença”, conta.






*Atualização: Jennifer Jones foi declarada presidente indicada na última sexta-feira (02/10) pelo atual presidente da instituição, Holger Knaack | Matéria atualizada em 05 de outubro de 2020

Localizar site dos clubes