Durante Feijoada Solidária, Rotary Club Curitiba Oeste oferece dicas para jovens intercambistas
Em agosto, o Rotary Club de Curitiba Oeste promoveu uma Feijoada Solidária, com o objetivo de arrecadar fundos para o programa de intercâmbio Jovem Destaque. O evento aconteceu na sede do Distrito e, além do almoço, contou com um bingo — que distribuiu mais de 30 prêmios —, vendas de doces da Associação de Senhoras de Rotarianos de Curitiba e com apresentações oferecendo dicas e orientações para futuros jovens intercambistas. Leia também: Programa de Intercâmbio de Jovens divulga relação de candidatos a Intercâmbio de Longa Duração Oportunidade de realizar um sonho Patrocinada pelo clube Curitiba Oeste, Beatriz Bernardes é uma das intercambistas na modalidade Jovem Destaque, do programa de intercâmbio de longa-duração. Criada há 12 anos no Distrito 4730, a modalidade seleciona jovens com bom desempenho escolar — que tenham estudado a vida toda em escola pública ou com bolsa integral — , perfil de liderança, engajamento com atividades de voluntariado e responsabilidade social, entre outras características, para fazer um intercâmbio patrocinado por um clube do Distrito. “Vai ser bom para o crescimento, para o currículo dela”, comenta Zilene Ferreira de Souza Bernardes, mãe da intercambista. Cuidadora infantil e com uma imensa paixão por cozinhar, Zilene comandou voluntariamente a cozinha durante a Feijoada Solidária. “Trabalhei como voluntária na arrecadação para ajudar a patrocinar o intercâmbio no México da Beatriz. Fico feliz porque ela está realizando um sonho, é uma oportunidade que eu não tive e que muitos jovens não têm”, conta Zilene. Mudança de realidade Durante a série de apresentações com dicas aos futuros intercambistas, Caroline Alvez — ex-intercambista Jovem Destaque também no México — descreveu como o período em que participou do programa ajudou a mudar sua realidade e consolidar sonhos. “Aprendi que, apesar da minha realidade muito decepcionante e muito difícil, os meus sonhos valiam a pena. Se eu me afincasse, estudasse e me preparasse, [os sonhos] iam acontecer, minha realidade ia mudar”, explica. Caroline também conta que, como intercambista e por carregar traços físicos diferentes dos habitantes da região — por exemplo, o cabelo cacheado —, passou por algumas dificuldades durante o intercâmbio, mas que isso “ensinou valores que a vida demoraria anos para ensinar”. “Lá, apesar de todas as dificuldades, eu consegui fundar um Rotaract Club — e era o primeiro Rotaract da história do estado inteiro. Ganhei um prêmio de melhor intercambista no Distrito e isso mostrou que o peso da minha experiência e de quem me tornei, tinham um valor muito grande”, relata. “Se você se esforçar um pouquinho todo dia, o intercâmbio vai ser extraordinário. Levem um diário, folhas vazias, em branco, e registrem todas as coisas que acontecem. Eu vejo a importância das pequenas coisas. Estejam dispostos a terem os olhos abertos para as pequenas coisas.” — Caroline Alvez, ex-intercambista Jovem Destaque do Distrito 4730 Alvez ainda aproveitou o intercâmbio para adquirir conhecimentos nas áreas de literatura e artes, escrevendo uma tese sobre literatura russa e conquistando uma bolsa para estudar violino, ambos sonhos que a acompanhavam desde o Brasil. Segundo Roberto Karam, mediador das apresentações para os intercambistas, ir com uma vocação em mente possibilita maior aproveitamento e aprendizado durante o período de intercâmbio. “Quando tem uma vocação mais ou menos definida, isso facilita o caminho. Pensem no que podem acrescentar com o apoio das pessoas que conhecerão, no que vocês vão trazer de lá [quando voltarem]”, explica Karam. Lugares que nunca pensou conhecer Uma das dicas oferecidas pela ex-intercambista Beatriz Natividade foi considerar a escolha de um país que nunca pensou em conhecer. Segundo Natividade, a quebra de expectativa pode expandir a perspectiva de outros países. “Sempre pensei em ir para Europa, até que um dia me perguntaram para qual país eu jamais tinha pensado em ir. Respondi Japão, então me disseram: ‘é para lá que você deve ir’ — e agora vejo que estavam certos”, conta. “Eu fui para um país que jamais tinha pensado em ir e eu o amo agora” — Beatriz Natividade, ex intercambista do Distrito 4730 Anne Cortez também experienciou a quebra de expectativa na escolha de países e agradece pela experiência de intercâmbio que viveu no México. “[A princípio] eu queria Taiwan. Só que no dia da escolha, a última vaga de Taiwan terminou antes da minha vez. Mas quando subi no palco e escolhi México, naquele momento tudo mudou, porque o méxico me abraçou com tudo”, relata. Cortez explica que, no começo, passou por algumas dificuldades, principalmente por ser a primeira vez que viajou sem a família. Nos primeiros meses, apesar de se adaptar ao local e adorar a família anfitriã, Anne conta que ainda não tinha se “entregado totalmente ao intercâmbio”. “Por muito tempo, deixei de experimentar comidas e essa é uma das essências do México, não tem como não se jogar na cultura. Vocês precisam estar dispostos a mudar”, afirma. “Independente de onde você vai ou de como vai, [o intercâmbio] vai ser uma experiência incrível.” — Anne Cortez, ex-intercambista do Distrito 4730 Idioma e amigos Para a ex-intercambista Luiza Saddi — que viajou para a Rússia — , algo essencial durante o intercâmbio é não ficar apegado ao inglês ou qualquer outro idioma que não o do país de destino. Saddi explicou que falar o idioma local não é o objetivo do intercâmbio cultural, mas é uma das suas consequências principais. “A linguagem é o que reúne as pessoas no mundo, então aprender o idioma é como você se encaixa, é o que te ajuda a entender o país e as pessoas. Hoje em dia, não sou fluente [em russo], mas aprendi o bastante para entender e ser compreendida”, defendeu. Beatriz Natividade também considera o idioma um dos aspectos principais do intercâmbio. Durante a estadia no Japão, Beatriz teve dificuldade inicialmente em se comunicar com outros estudantes e famílias anfitriãs por não dominar o japonês. “Só haviam três intercambistas na minha escola. No começo, os estudantes foram muito receptivos, mas como eu não falava praticamente nada de japonês e eles não falavam quase nada de inglês, a comunicação era muito difícil e aos poucos eles perderam o interesse, então eu precisava ir até eles”, relatou. Luiza Saddi explicou que é importante criar laços de amizade, mesmo com as dificuldades de comunicação. Criar amigos no local em que está fazendo intercâmbio ajuda não só a praticar aos poucos o idioma, conhecer e entender melhor a cultura do país, como a tornar a própria estadia no país mais fácil. “Às vezes é difícil, as pessoas não querem se abrir para você porque você é estrangeiro ou porque não estão interessadas. Mas você precisa ir até lá e dizer ‘hey, sou um estudante intercambista, posso me sentar aqui?’. E você senta com eles, começa a praticar, escutar o idioma e vai mostrar a eles que está interessado”, orientou. “Mostre a eles que está interessado, não em ‘roubar os trabalhos deles’ ou ‘superpopular o país’, mas sim porque você os acha interessantes. Isso vai tornar tudo mais fácil” — Luiza Saddi, ex-intercambista do Distrito 4730 Cada experiência é única Finalizando as apresentações e dicas para os futuros intercambistas, Luiza Saddi orientou que, acima de tudo, os jovens devem evitar comparar as experiências de intercâmbio com a de outros colegas e conhecidos. “Eu escolhi ir para a Rússia. Escolhi sabendo que não teria a companhia de um grupo grande de intercambistas e que haveriam dificuldades de locomoção. Eu era a única brasileira, não tinha amigos no início e o inverno era tremendamente frio. Comecei a comparar com pessoas que conhecia que estavam em outros países e pareciam estar mais felizes, e me perguntar ‘por quê eu escolhi isso?’”, relatou. Luiza explicou que passar por estas comparações fez com que ela deixasse de aproveitar o intercâmbio até o momento em que entendeu novamente porque escolheu a Rússia como destino. “Havia uma festividade em comemoração a Revolução e relembrei como a Rússia mantém a história viva. E é assim, você vai passar por este processo muitas e muitas vezes: você vai se decepcionar, aí algo acontece e você ganha sua energia de novo”, descreveu. “Durante a viagem é ótimo, mas, quando você volta, é como se você tivesse mudado, só que o mundo ao seu redor não. E isso é bom, porque você vai ser a pessoa que foi para a Alemanha, a pessoa que foi para Taiwan e a pessoa que foi para Rússia. Você volta com esperança do que vai ser. Quando voltei, tinha novos planos, comecei uma universidade, entrei em grupos Rotaract e tinha planos de como conseguir empregos. Então vocês precisam ter em mente que existe vida após o intercâmbio.” — Luiza Saddi, ex-intercambista do Distrito 4730 Por: Laís Adriana Fotos por: Laís Adriana






